Lula sinaliza retaliação e afirma que Brasil pode banir agentes americanos após a saída de delegado da PF

No dia 21 de novembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que o Brasil tomará medidas de “reciprocidade” se for comprovado que houve abuso por parte dos Estados Unidos na expulsão do delegado da Polícia Federal, Marcelo Ivo de Carvalho.

A declaração foi feita por Lula ao deixar um hotel em Hannover, na Alemanha, antes de sua viagem para Lisboa. O presidente afirmou que teve conhecimento do incidente apenas na manhã de terça-feira e não possuía informações detalhadas sobre os acontecimentos.

Retórica presidencial e possíveis retaliações

“Recebi a informação hoje cedo. Se realmente houve um abuso por parte dos EUA em relação ao nosso policial, aplicaremos a reciprocidade com os agentes deles no Brasil”, comentou Lula. Ele também expressou sua insatisfação com “essa ingerência e esse abuso de autoridade que alguns americanos tentam exercer sobre o Brasil”, sugerindo até a expulsão de agentes estadunidenses que atuam no território brasileiro.

Informações da Polícia Federal

Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, esclareceu que o delegado Marcelo Ivo estava em missão em Miami há mais de dois anos, participando de atividades de cooperação policial que são comuns em 34 países. Rodrigues destacou que as ações do delegado eram fundamentadas em um memorando assinado entre a PF e as autoridades norte-americanas, indicando uma colaboração mútua e conhecimento prévio do trabalho realizado.

A Polícia Federal aguarda agora respostas formais das autoridades dos Estados Unidos para entender os motivos que levaram à decisão de expulsar o delegado.

Confirmação da expulsão e justificativa americana

No dia 20 de novembro, o Departamento de Estado dos EUA confirmou a expulsão de Marcelo Ivo. Em uma postagem no X/Twitter, a instituição afirmou: “Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para evitar pedidos formais de extradição e prolongar caças às bruxas políticas em solo americano.” Notificações sobre essa ação foram enviadas à Embaixada do Brasil sem aviso prévio à Polícia Federal.

Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Conexão com a prisão de Alexandre Ramagem

A expulsão do delegado está vinculada à prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) pelo ICE em Orlando no dia 13 de abril. Uma reportagem da BBC revelou que essa detenção foi planejada meses antes entre a Polícia Federal e autoridades migratórias dos Estados Unidos. No entanto, o documento utilizado para justificar a prisão não mencionava crimes cometidos no Brasil nem incluía um pedido formal de extradição. Ramagem foi solto dois dias depois por uma “decisão administrativa” do ICE e agradeceu ao governo Trump pela liberação.

Reações no cenário político

<pEntre os membros da direita, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que se encontra nos Estados Unidos desde fevereiro, celebrou a expulsão do delegado publicando no X: “Perdeu Mané.” O jornalista e aliado de Ramagem, Paulo Figueiredo, comentou que a medida foi “muito pouco” e não descartou a possibilidade de apresentar uma queixa-crime contra o delegado.

As autoridades brasileiras agora aguardam esclarecimentos formais dos EUA para determinar quais serão suas próximas ações tanto na diplomacia quanto na segurança pública.

Com informações adicionais disponíveis.