Na terça-feira, 12 de maio, o Olympique Lyonnais apresentou um relatório financeiro que expôs a gravidade da crise que assola o clube francês. O documento revelou um déficit de 186,5 milhões de euros, o que equivale a aproximadamente R$ 1 bilhão. Adicionalmente, mencionou um montante de 126 milhões de euros (cerca de R$ 727 milhões) que o clube tem a receber do Botafogo.
O relatório também expressa preocupações internas sobre a probabilidade de reaver esses valores. Segundo os dados apresentados, pelo menos 86 milhões de euros (aproximadamente R$ 496 milhões) foram classificados como de risco na contabilidade devido à possibilidade de inadimplência.
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Essas informações ressaltam a crescente tensão financeira entre os clubes sob a gestão da Eagle Football Holdings, grupo ao qual pertencem tanto o Lyon quanto o Botafogo.
As revelações fazem parte do relatório financeiro emitido pelo Lyon nesta terça-feira. Embora tenha feito um pedido formal ao Botafogo, a situação jurídica entre as duas instituições apresenta uma perspectiva diferente. Em um despacho datado de 22 de abril, a Justiça fluminense ordenou que o Lyon realizasse um pagamento no valor de R$ 137,8 milhões à SAF do Botafogo.
A decisão foi proferida pelo juiz Leonardo de Castro Gomes da 17ª Vara Cível do Rio e estipulou um prazo de 15 dias para que o clube francês apresentasse possíveis embargos. Para isso, seria necessário depositar uma quantia equivalente a 30% do valor em questão, além das custas processuais e honorários advocatícios.
No entanto, em seu balanço financeiro mais recente, o Lyon afirmou não ter recebido notificação oficial sobre essa ação judicial iniciada pelo clube carioca. “Além disso, há informações indicando que o Botafogo teria ajuizado uma ação contra nós no Tribunal do Rio de Janeiro; no entanto, não recebemos qualquer comunicação a respeito”, informou o clube francês no documento.
Um dos pontos mais críticos do relatório envolve diretamente John Textor. O Lyon acusa o executivo de ter assinado garantias financeiras em nome da instituição para respaldar operações relacionadas tanto ao Botafogo quanto ao Molenbeek da Bélgica sem que tais transações fossem devidamente divulgadas ou registradas internamente.
“Recentemente descobrimos que terceiros estavam acionando garantias concedidas entre agosto de 2023 e abril de 2025 pela Companhia ou sua subsidiária OL SASU e assinadas por John Textor para cobrir obrigações associadas ao Botafogo e Molenbeek (ambos pertencentes à Eagle Bidco e vinculados ao ex-diretor John Textor). Essas garantias não eram conhecidas nem estavam mencionadas nas demonstrações financeiras anteriores da Companhia”, revela um dos trechos do relatório.
Informações obtidas indicam que as operações mencionadas estão ligadas às transferências dos jogadores Ernest Nuamah e Luiz Henrique.
O documento ainda detalha duas garantias específicas. A primeira foi emitida em março de 2024 para assegurar valores pendentes relacionados à aquisição de um jogador pelo Botafogo. A segunda garantia foi firmada em abril de 2025 sob normas inglesas e abrange uma garantia dada pela OL SASU para cobrir eventuais débitos do clube carioca numa operação inicialmente estimada em cerca de 30 milhões de euros.
Conforme informado pelo Lyon, o credor dessa transação se reservou o direito de exigir até 14,8 milhões de euros da subsidiária francesa. O relatório ainda menciona que parte dessas garantias está relacionada a créditos decorrentes de transferências entre os dois clubes que nunca foram efetivadas.
“Essa garantia cobre um empréstimo como um suposto crédito cedido pelo Botafogo ao mesmo beneficiário referente a valores pendentes por transferências entre os dois clubes que jamais aconteceram”, aponta outro trecho relevante do documento.
A ESPN tentou entrar em contato com John Textor via e-mail para obter uma posição sobre as acusações feitas no relatório; entretanto, até a publicação desta matéria não houve resposta por parte dele.
