No último domingo (11/10), durante o clássico no Maracanã, Flamengo e Fluminense uniram forças para protestar contra a Medida Provisória nº 1.394, conhecida como MP das Bets. Ambas as equipes exibiram a mensagem “proibir não é proteger” em seus uniformes, uma referência à proibição de operações e publicidade relacionadas ao setor de apostas, que ocupou o espaço destinado ao patrocinador master.
Além da manifestação institucional, os torcedores também se fizeram ouvir nas arquibancadas. Ao entrarem em campo, os jogadores do Flamengo foram recebidos com uma faixa que dizia: “O futebol brasileiro não pode ser vítima desse gol contra”. A mensagem fazia alusão direta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal (STF).
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A equipe do Flamengo tinha um contrato vigente com uma empresa do setor que se estenderia até o final de dezembro de 2028, podendo resultar na perda significativa de cerca de R$ 268,5 milhões por temporada devido à nova legislação. O Fluminense, por sua vez, contava com um acordo que envolvia R$ 52 milhões anuais fixos mais variáveis, também válido até 2029.
<pDurante a semana anterior, Mattheus Montenegro, presidente do Fluminense, já havia manifestado apoio à iniciativa conjunta e comentou sobre a surpresa causada pela medida provisória: "Foi uma decisão tomada repentinamente. Sempre afirmei que essa questão não deve se misturar com politicagem, pois o clube não deve se envolver institucionalmente em debates políticos. Contudo, a falta de previsibilidade foi o que realmente nos afetou. Uma ação imposta dessa forma nos prejudica bastante", declarou.
No último jogo antes do clássico, o Flamengo foi a única equipe a levar a mensagem estampada na camisa durante um empate em 2 a 2 contra o Santos na Vila Belmiro. Além disso, protestos semelhantes apareceram em placas publicitárias em nove estádios pelo Brasil. Entre os clubes da primeira divisão nacional, quatorze possuem contratos ativos com casas de apostas.
Dados levantados pelo Banco Central mostram que o setor movimentava entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões mensalmente no Brasil. Desde a regulamentação implementada em 2023, esse volume acumulado superou os R$ 400 bilhões. No entanto, tudo mudou no dia 25 de setembro quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou a MP das Bets, que proíbe a exploração, oferta e publicidade relacionadas às apostas com quota fixa no país.
A partir do dia 6 de outubro de 2026, conforme estipulado na medida provisória, os sites e aplicativos das plataformas regulamentadas foram desativados. Essa decisão gerou insatisfação entre as empresas do setor que criticaram a interrupção súbita das atividades e relataram prejuízos significativos em decorrência da paralisação abrupta.
