Trump altera diretrizes sobre vacinação infantil nos Estados Unidos, gerando controvérsia com a OMS

A recente iniciativa do governo de Donald Trump para alterar a política de vacinação infantil nos Estados Unidos gerou uma forte reação da Organização Mundial da Saúde (OMS). A entidade ressaltou que as decisões relacionadas à imunização devem ser fundamentadas em evidências científicas acumuladas ao longo dos anos e expressou preocupação com as modificações recentes implementadas pelo governo americano, que não estão alinhadas a esse conhecimento prévio.

O debate ganhou ainda mais destaque devido à maneira como a proposta foi apresentada. Em um evento realizado no Salão Oval na última segunda-feira (10/8), Trump ficou sentado enquanto membros de sua equipe explicavam as alterações propostas. Vídeos que circularam nas redes sociais mostraram o presidente com os olhos fechados durante o discurso do secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., levando internautas a comentarem sobre a possibilidade de ele ter cochilado. Outros vídeos também chamaram atenção para o tremor nas mãos de Kennedy enquanto ele falava.

Veja as fotos

Donald TrumpReprodução: YouTube/@WhiteHouse
Tedros Adhanom, diretor-geral da OMSCrédito: Brenno Carvalho – Agência O Globo
O presidente da OMS, Tedros Adhanom, reforçou a necessidade de vacinas para crianças nos EUAReprodução: Instagram/@drtedros
Sarampo se caracteriza também por erupções vermelhas na peleDivulgação: Ministério da Saúde/CONASEMS
Donald TrumpReprodução: ABC

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No cerne da polêmica está uma ordem assinada por Trump que visa reconfigurar as diretrizes federais sobre vacinação infantil. Dentre as propostas apresentadas, destacam-se a diminuição do número de vacinas recomendadas regularmente e o aumento no intervalo entre algumas delas. Além disso, busca-se modificar as normas relativas à vacinação nas escolas.

Uma das propostas mais controversas refere-se à sugestão de interromper o uso da vacina MMR (equivalente à tríplice viral no Brasil) na forma como é atualmente administrada, optando por fornecer as vacinas contra sarampo, caxumba e rubéola separadamente. Especialistas apontam que não existem evidências científicas que justifiquem essa alteração, além do fato de que as vacinas individuais não estão disponíveis no país neste momento.

A OMS defendeu que os calendários vacinais sejam elaborados com base em avaliações independentes e transparentes. A organização lembrou que as recomendações quanto à idade adequada e ao momento ideal para cada dose são frutos de décadas de pesquisa sobre transmissão de doenças, eficácia e segurança dos imunizantes.

Robert F. Kennedy Jr., atual secretário de Saúde dos EUA, tem estado envolvido nesse debate há bastante tempo. Mesmo antes de assumir um cargo no governo, ele propagou teorias sobre uma suposta ligação entre vacinas e autismo, sem respaldo científico. Contudo, diante do aumento dos casos de sarampo no país, declarou em entrevista à CNN que os pais devem vacinar seus filhos contra a doença e reconheceu a importância da vacina.

A situação é crítica para a saúde pública nos Estados Unidos. O país está enfrentando um aumento significativo nos casos registrados de sarampo, e especialistas temem que uma redução na taxa de vacinação possa favorecer a disseminação dessa doença, considerada erradicada desde 2000 no território americano. Tanto Trump quanto Kennedy afirmam que essas mudanças visam aumentar a autonomia das famílias e alinhar o calendário vacinal americano ao adotado por outras nações desenvolvidas.