Na segunda-feira, 21 de agosto, os clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro deram seu apoio à proposta da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) que visa a diminuição gradual do número de jogadores estrangeiros permitidos em cada partida. Hoje, as equipes têm a possibilidade de incluir até nove atletas estrangeiros na súmula. A partir de 2027, esse limite será reduzido para oito, diminuindo um jogador por temporada até atingir cinco em 2030. Segundo a CBF, a votação contou com uma significativa maioria, recebendo apenas dois votos contrários; entre os clubes que se opuseram à mudança estão Flamengo, Bahia e Londrina.
O Flamengo manifestou sua preocupação, sugerindo que a discussão sobre o número de estrangeiros deveria ser acompanhada por alterações nas regras referentes às transferências entre clubes brasileiros, as quais exigem um mínimo de partidas para que um jogador seja transferido. Contudo, essa proposta não foi levada à votação durante o encontro.
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Como será a transição?
A implementação dessa mudança será realizada de maneira gradual, permitindo que os clubes tenham tempo para ajustar seus elencos e contratos. Em 2027, o limite de jogadores estrangeiros cairá para oito, seguido por sete em 2028, seis em 2029 e finalmente cinco em 2030. Esse último número é o mesmo que vigorava nas competições nacionais até 2022. Em contraste, o teto havia sido aumentado para sete em 2023 e nove em 2024.
Além da diminuição no número permitido de estrangeiros, haverá também uma modificação na forma como os elencos são registrados. Os clubes poderão continuar registrando até 50 jogadores, porém essa lista será dividida em duas partes. Em 2027, a Lista A terá espaço para 30 atletas, enquanto a Lista B incluirá até 20 jogadores sub-23. Essa divisão sofrerá alterações nos anos seguintes, passando para 29/21 em 2028 e para 27/23 em 2029, até chegar a uma configuração final de 25 jogadores em ambas as listas em 2030. É importante ressaltar que não há exigência de que os atletas da Lista B sejam formados pelo clube.
Qual é o objetivo da mudança?
A CBF esclarece que a principal meta dessa alteração é abrir mais espaço para jovens talentos brasileiros e promover a formação desses atletas. Um estudo realizado pela entidade revelou que a participação dos jogadores brasileiros sub-23 na Série A caiu de 28,3% dos minutos jogados em 2020 para apenas 11,5% em 2026. Durante o mesmo período, a presença de estrangeiros acima dos 23 anos aumentou significativamente, passando de 7,8% para impressionantes 25% dos minutos disputados.
Ademais, a média etária dos atletas na Série A cresceu de 27,3 anos em 2021 para 28,5 anos até 2026. Segundo os dados apresentados aos clubes pela CBF, essa média supera aquela observada nas principais ligas europeias analisadas. A confederação associa essa tendência à diminuição da participação de jovens jogadores e busca com as novas regras ampliar tanto sua utilização quanto seu desenvolvimento no cenário profissional.
Além dos aspectos esportivos, essa mudança traz implicações econômicas significativas para os clubes. O estudo da CBF indica que atletas com até 20 anos representaram mais da metade (50,1%) das receitas com transferências internacionais entre os anos de 2016 e 2025. Portanto, a intenção da entidade é potencializar as oportunidades desses jovens talentos e garantir que os clubes brasileiros continuem capazes de formar e negociar novos jogadores sem eliminar totalmente as contratações internacionais.
A proposta aprovada não restringe a presença dos estrangeiros no futebol nacional; ao contrário disso, estabelece uma redução progressiva no número permitido por partida. Atualmente há uma média de cerca de cinco estrangeiros relacionados por jogo na Série A — abaixo do limite máximo estipulado — indicando que essa nova regra visa principalmente regular o teto máximo disponível aos clubes nos próximos anos.
