Recentemente, o Ministério das Relações Exteriores, conhecido como Itamaraty, demitiu a oficial de chancelaria Flávia Medeiros, de 29 anos. A decisão foi tomada após uma comissão de heteroidentificação questionar sua autodeclaração como mulher parda. Flávia ocupava seu cargo em Brasília há aproximadamente dois meses e a exoneração foi publicada na última sexta-feira (22).
A comissão responsável pela análise da autodeclaração apresentou justificativa para a rejeição, apontando características como “pele clara, cabelos lisos e traços finos” da candidata. Em entrevista ao Folha de S. Paulo, Flávia criticou a atuação da comissão, alegando que os critérios utilizados foram subjetivos e que ultrapassaram suas competências ao definir quem é afetado pelo racismo no Brasil.
Antes de sua exoneração final, Flávia havia conquistado uma decisão favorável em primeira instância na Justiça Federal que lhe garantiu o direito de assumir o cargo. Contudo, uma determinação em segunda instância revogou essa decisão anterior, resultando na sua saída da equipe do Itamaraty.
Formada em Relações Internacionais, Flávia tinha sido escolhida para atuar como secretária-adjunta do Comitê Étnico-Racial do Ministério. Após a polêmica gerada, ela relatou estar enfrentando dificuldades emocionais e financeiras, pois deixou um emprego estável e se deslocou de Vitória para Brasília para assumir a nova função.
O processo de heteroidentificação é um procedimento utilizado em concursos públicos que reservam vagas com base em critérios raciais. Nele, uma comissão avalia a autodeclaração dos candidatos. No caso de Flávia, essa comissão não reconheceu sua autodeclaração como pertencente ao grupo pardo, o que levou à sua exclusão da nomeação.
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