Giovana Duratt, psicóloga referência em saúde mental feminina, analisa o impacto das plataformas digitais na autopercepção de mulheres e orienta caminhos para romper o ciclo de autocobrança excessiva
Por Redação | Outubro de 2025
O Brasil enfrenta uma crise de saúde mental sem precedentes. Em 2024, foram registrados 472.328 afastamentos do trabalho por transtornos mentais, um aumento de 68% em relação ao ano anterior — e as mulheres estão entre as mais afetadas por esse cenário. Segundo dados do Ministério da Previdência Social, 64% dos afastamentos foram concedidos a mulheres, o que revela uma sobrecarga emocional significativa na população feminina.
Para Giovana Duratt, psicóloga especializada em saúde mental feminina, esse quadro mostra um problema de saúde pública, e destaca a urgência de repensar como as redes sociais influenciam a autoestima e intensificam padrões de perfeição e comparação.
“As redes sociais funcionam como um espelho distorcido que reflete apenas versões editadas da realidade. Mulheres passam a medir seu valor pela régua de corpos, vidas e conquistas impossíveis, e o resultado é um chicote interno que nunca para de bater”, explica Giovana.
O impacto das redes sociais na saúde mental feminina
Estudos recentes indicam que pausas no uso de redes sociais promovem melhorias na autoestima e na percepção corporal, especialmente em mulheres expostas a padrões irreais de beleza. Pesquisas internacionais apontam que períodos de “detox digital” reduzem a comparação social e melhoram o bem-estar psicológico.
Além disso, a dinâmica das plataformas, marcada por conteúdos esteticamente idealizados, intensifica a sensação de inadequação. “Mulheres chegam ao consultório sem conseguir se reconhecer no espelho, porque vivem comparando a própria realidade com vidas editadas e inalcançáveis”, observa a psicóloga.
Perfeccionismo feminino: quando a exigência vira prisão
Giovana reforça que o perfeccionismo feminino não é uma característica de personalidade, mas um padrão socialmente construído e amplificado pelas redes. “Desde cedo, meninas aprendem que precisam ser impecáveis para serem aceitas. As redes sociais reforçam isso ao exibir uma estética de vida perfeita que simplesmente não existe.”
O perfeccionismo se manifesta na autocrítica severa, na dificuldade de celebrar conquistas e na sensação permanente de não ser boa o bastante. “Essa voz interna cruel é o que chamo de chicote interno — e ele causa dor, mesmo quando ninguém mais vê”, explica.
Comparação social: o mecanismo invisível de desgaste
Abrir o Instagram e ver a vida “perfeita” de outras mulheres é, para muitas, o gatilho de um ciclo de insatisfação crônica. “Corpos impecáveis, carreiras brilhantes, maternidades leves… e você olha para a própria vida e sente que está falhando”, relata Giovana.
Os algoritmos das redes sociais amplificam esse padrão ao priorizar conteúdos aspiracionais, estimulando o consumo e reforçando a sensação de inadequação. “A mulher passa a acreditar que nunca é suficiente, precisa ser mais magra, mais feliz, mais produtiva. Isso não é motivação, é adoecimento emocional travestido de sucesso”, complementa.
Como largar o chicote interno
Para romper o ciclo de autocobrança e perfeccionismo, Giovana propõe um processo de reconexão prática e emocional:
- Curar o feed: deixar de seguir perfis que geram comparação e insatisfação, priorizando conteúdos reais e acolhedores.
- Estabelecer limites de tempo: reduzir o uso diário das redes e criar momentos de desconexão para resgatar presença e foco na vida real.
- Praticar autocompaixão: substituir a autocrítica por gentileza e aceitação, reconhecendo erros e limitações como parte da experiência humana.
- Buscar acompanhamento psicológico: trabalhar padrões de baixa autoestima, perfeccionismo e ansiedade com suporte profissional.
“Terapia não é sobre carregar o peso de ser perfeita, mas sobre aprender a acolher o próprio ritmo e construir uma voz interna mais gentil e verdadeira”, reforça Giovana.
Saúde mental feminina: prioridade para 2026
Os afastamentos por transtornos de ansiedade aumentaram mais de 400% entre 2014 e 2024, e os episódios depressivos quase dobraram em uma década. Diante desse cenário, Giovana defende que 2026 precisa marcar uma virada de consciência.
“Estamos começando a nomear o que antes era invisível: o sofrimento silencioso das mulheres que carregam o peso de serem perfeitas. E isso é libertador”, conclui.
Para ela, o desafio está em transformar autocobrança em autocompaixão e aprender a usar as redes de forma mais consciente, leve e humana.
Contribuição para essa matéria
Giovana Duratt | Psicóloga de Mulheres
CRP 08/30441
Giovana é psicóloga especializada em saúde mental feminina e relacionamentos. Atua no consultório e nas redes sociais, traduzindo conceitos da psicologia e psicanálise em reflexões acessíveis para o dia a dia. Seu trabalho tem como missão ajudar mulheres a encontrarem suas próprias vozes e conseguirem reescrever suas próprias histórias de forma mais livre e autêntica.
Instagram: @giovanaduratt
Contato para imprensa:
E-mail: [email protected]
https://www.instagram.com/giovanaduratt
https://w.app/436
C. Ribeiro 41999944026 [email protected]
